Carnaval de Olinda, Olhos na PM de Pernambuco.

Ou debatemos e denunciamos a violência da Polícia Militar de Pernambuco – PMPE, e impedimos a escalada da violência agora, ou sua violência não terá limites, pois já não tem. Trarei exemplos práticos!

Dia 20 de fevereiro postei texto/vídeo sobre o Carnaval de Olinda, o que senti e o quanto o amo. Ainda escreverei sobre os paredões, os sambas e as feias (utilizando a rica sátira de Catarina Dee Jah sobre as BETs), mas hoje vou dialogar sobre a Polícia Militar de Pernambuco, que causou mais violência e medo que qualquer batedor de carteira, briga de grupos ou aviõezinhos. A PMPE não foi na moral!

Alguns dizem que quem não deve não teme, esse é o maior Fake News sobre a Polícia Militar de Pernambuco. Alguns populares culpavam os/as novatos/as do último concurso da PM por sua violência nas ladeiras de Olinda, mas cada grupo tinha um comando experiente. Falamos aqui de uma violência estrutural, abusiva, descarada, descabida.

Eu temia toda vez que passava ao lado de um grupo da PMPE. Sou assistente social do Ministério Público da Paraíba, já atuei no Tribunal de Justiça de Pernambuco, fui professor da Universidade Federal de Pernambuco, estive como candidato ao Governo da Paraíba em duas oportunidades (2014 e 2018), minha ficha criminal é zerada, tenho autorização judicial para plantar, colher e portal a planta e meu óleo de maconha, mas nada disso diminuiu meu temor cada vez que passava ao lado de um PM de Pernambuco. Isso precisa parar!

Djonga denunciou ainda durante o show no Carnaval de Recife a violência policial, que agrediu descaradamente quem apenas dançava durante a apresentação, mas não foi só durante o carnaval; nas prévias o Elefante de Olinda e o John Travolta, blocos tradicionais de Olinda/PE, denunciaram a violência da PMPE ainda durante as prévias; fato também denunciado pela Deputada Rosa Amorim (PT/PE). Outro bloco a não calar diante da violência policial, agora durante o Carnaval, foi o Eu Acho é Pouco. Fundamental o papel cumprido pelas referências públicas da política e da cultura diante dos inúmeros casos de violência, do contrário os agressores não serão responsabilizados e a tendência será piorar.

Até então estamos falando de casos públicos, graças ao compromisso de lideranças que não calam, mas eu vi, vivi e soube outros tantos casos que talvez não cheguem a tantas pessoas, mesmo que muitos casos estejam (ou deveriam estar) gravados nas câmeras espalhadas pela cidade. Nos Quatro Cantos uma amiga teve um cigarro de tabaco arrancado da boca e jogado no chão por um PM que berrava: “que porra é essa que você está fumando?”, fumar não é crime (mesmo se fosse Maconha) e mesmo que fosse essa não seria abordagem. Na mesma área, um grupo de PM arrastou um folião pela máscara dizendo “estamos apenas brincando com você”, quando ele respondeu que “isso não é brincadeira”, foi violentado, agredido, uma covardia sem tamanho.

Na Prudente de Morais, já perto da Estação da Luz, um jovem sem camisa, passava sorrindo e, “do nada”, levou uma lapada de cassetete no braço, ele não entendeu nada, saiu chorando, constrangido, passando a mão no braço, também presenciei esse caso e também fui empurrado em diversas vezes, mas não com a mesma força. Assim como nós, o jovem olhou com sentimento de impotência e seguiu em frente. Lembrei de anos atrás, quando um jovem foi agredido e eu disse poderia ir com ele até a delegacia, chegando na Ribeira, na porta do órgão, um policial olhou em nossos olhos e disse que “é melhor vocês irem embora, pois tudo pode piorar”, o rapaz mijou nas calças (literalmente), agradeceu e sumiu da minha vista, eu corri para longe, com medo de ficar só. Não é de hoje, mas pode piorar.

Se tenho outros casos? Infelizmente sim, muito casos que ouvi de pessoas mais afastadas e que vivi mais de perto, mas quero falar sobre a quarta-feira de cinzas, ainda cedo, quando o Bicharada, Boi organizado pelo Mestre Siba (entre outros/as), foi abordado por várias viaturas e impedido de seguir a festa. Após esse caso, parece que toda Polícia de Pernambuco desceu para o Fortim, nem na Ditadura Militar, quando surgiu o Segura a Coisa, o órgão dedicou tanta repressão ao bloco antiproibicionista.

Lá estava eu, no Segura a Coisa, viaturas atrás do bloco, viaturas na frente, PMs disfarçados no meio do bloco. A PMPE estava ostensivamente presente, parecia sedenta por violência. Felizmente, e não é com alegria que digo isso, as pessoas pediam desculpas até sem ter motivo, isso impediu outros tipos de violência. Lembro que ao chegar nos Quatro Cantos, outras viaturas chegaram com suas sirenes brilhando, bloqueando a Ladeira da Misericórdia e a Prudente de Morais, o bloco desceu a esquerda e subiu a Rua do Amparo, chegando ao Alto da Sé pela rua lateral da Igreja do Amparo, felizmente sem ninguém caiu nas provocações ocorridas durante todo o caminho.

O Segura a Coisa acabou perto da Igreja da Sé. Lembro que interrompi a conversa de um amigo por duas vezes para sairmos dali, já que eram muitas viaturas e eu conheço como ocorre esse final de festa, nem a organização fica por lá quando termina. Levei um fora, fui comprar uma cerveja e voltei. Ele tinha ido procurar por mim. Na mesma hora nos encontramos e lá ficamos com nossos/as amigos/as de bloco, pois caiu uma chuva gigante, todos/as se abrigaram e os/as “trocentos/as” PMs entraram nas viaturas e foram embora, permitindo a paz reinar entre os/as foliões. A chuva parou (sem raios) e festa seguiu, sem PM, sem violência, sem roubo.

Na mesma madrugada ainda circulamos nas ladeiras, fiz novos/as amigos/as, dancei nas pequenas aglomerações, conversei sobre a vida, “fechamos” a conveniência… É comum imagens públicas de festas serem expostas para programas sensacionalistas, não mostrando as gravações da violência institucional, mas trazendo “ao vivo” o sucesso, o THC e a psicodelia de forma inversa, distorcendo a paz que envolve o movimento antiproibicionista e aplaudindo o controle dos nossos corpos por meio da violência policial.

E você, viveu ou viu algum caso de violência policial em Pernambuco? Tem vídeo ou foto sobre o assunto? Manda para cá, faz contato que repasso para as autoridades locais. Não vi a mesma intensidade de violência acontecer aqui na Paraíba, mas caso tenha registro de situações correlatas, manda que faço o mesmo. O Central é impedir a escalada da violência institucional.

Uma dica final, que o Boletim de Ocorrência virtual abra espaço para registrar violência policial e anexar vídeos e fotos. Atualmente essa violência não pode ser registrada virtualmente pelo portal da polícia de Pernambuco, dificultando devido ao medo, pois mesmo quem não deve teme, que essas denúncias sejam registradas.

Sigamos. Que São Carnaval nos proteja!

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